domingo, 18 de abril de 2010

Eu tenho o maior medo desse negócio de ser normal.

Gente vou dividir um texto com vocês da Clarice Lispector, que diz um pouco do que estou sentido agora :

Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.
Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro.
Minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite.
Não sei amar pela metade. Não sei viver de mentira. Não sei voar de pés no chão. Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra sempre.
'Mas tenho medo do que é novo e tenho medo de viver o que não entendo - quero sempre ter a garantia de pelo menos estar pensando que entendo, não sei me entregar à desorientação.
Depende de quando e como você me vê passar.
Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato...
Ou toca, ou não toca.
Quando se ama não é preciso entender o que se passa lá fora, pois tudo passa a acontecer dentro de nós.
Ela acreditava em anjo e, porque acreditava, eles existiam.
Com todo perdão da palavra, eu sou um mistério para mim.
Eu não sou tão triste assim, é que hoje eu estou cansada
Porque há o direito ao grito.
então eu grito.
E nem entendo aquilo que entendo: pois estou infinitamente maior que eu mesma, e não me alcanço.

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